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Terça-feira, 27 de Abril de 2010

ALMAS PENADAS

Bem cedo pela manhã

Começamos o dia acompanhados de cadáveres

Que andam conosco por todo lado

E nesse dia tornam se inseparáveis

 

Quem ler estas pequenas quadras que escrevo

Achará que sou um ser fora do normal

Por tentar contar aquilo que está à nossa frente

E muitos dão até conta, mas não dizem mal

 

Há outros porém

Já nem dão conta

Porque algum tempo estão mortos

Mas teimam em não ver

 

Eu sei que a maioria das pessoas

Dirão coitado não está bom da cabeça

Está maluquinho, Coitadito

Mas eles andam ai, alguns até sem cabeça

 

Só as pessoas com uma mente mais aberta

Com outra maneira de encarar a vida

Acham tudo normal

Pois esta é a nossa realidade

 

Alguns até tomam café conosco

Se depois vem conosco para todo o lado

Não são os piores

São os sombras , passam o tempo atrás de nós,são os melhores

 

Muitas vezes quando me levanto

Tenho a sensação que tudo vai correr

Como um dia normal

Presinto uma presença a dizer vai esta tudo bem

 

Há quem ande cá a ver o que fazemos

Muitas vezes presinto que não estou sozinho

Quando escrevo até me dizem escreve esta palavra

É um espiríto bom que se encontra no meu caminho

 

Tenho quase a sensação

que sempre que sinto que estou perdido

Há um ponto de luz que me diz olha faz isto por várias, sai certo

Porque não fiz como lá estava escrito

 

Acreditem que as almas andam sempre a acompanhar nos

Não podem interferir mas vão dando pistas

Que só as pessoas observadoras

Conseguem olhá los, para não dar nas vistas

 

Por incrível que possa parecer

Muitas vezes aqui no Algarve,

desesperei sem saber o que fazer

Fartava me de dar voltas, mas encontrava uma solução

 

É por isso que eu digo tenho um anjo

Desde sempre me acompanhou

E me veio guiando pela vida fora

E logo com as causalidades nada falhou

 

E com a passagem do tempo

Estas causalidades começaram  a ser mais frequentes

Dei me conta que alguma coisa

estava a mudar na minha maneira de pensar

 

Já algum tempo tinha dado uma grande

Volta à minha cabeça

Que me custou a entrar na minha cabeça

Nada do que eu dizia era verdade

Para ser honesto passei varias noites em claro

Até tinha medo da minha própria sombra

 

Todos os ruídos que ouvia

Ficava logo aflito

Passei muitas noites em claro

Com a sensação que estava gente lá em casa

E até me tapava todo até a cabeça

Depois começei a pensar

QUe tal vez fosse a depressão

Que não me deixava nem se quer pensar

Presentia gente ao pé de mim

Até tinha medo de me levantar

 

Fosse o que fosse

Passei noites cheias de medo

Pouco tempo de pouco essa sensação foi desaparecendo

E começei a dormir melhor

Digam pensem o que quiserem de mim

Acho que tenho sido aliciado por almas boas

Porque só assim eu compreendo

O porque de me conseguir desenrascar de todas as maluquices da vida

Só pode ser o meu anjo da guarda

Que me vai dizendo o que devo fazer

 

Sempre que escrevo estas coisas, é por alguma razão

Até as próprias casa que estão degradadas

Ao olhar para elas sinto o pulsar da gente que aqui viveu

Com as paredes tão desagarradas

Á janelas criando flores

Até os vidros partidos deitam lágrimas de dor

Outras à porém que estão bem arranjadas,

pintadas com flores alegres cheias de vida

 

Com as pessoas é a mesma coisa

Que se passa com as casas

Só que o pulsar as tornam diferentes

As casas estão fixas nos lugares e as almas acompanham as novas gentes

Eu sei que ao escrever estas palavras

Muita gente vai achar estranho

Mas no fundo achará Que não estamos sozinhos

Ou serei eu o uníco louco andar por cá

 

Será paranoía

Mas eu tenho a certeza

Que não sou o uníco a dizer que temos companhia

Por vezes não sei o que fazer

 

Mas algum anjo virá

E me deixará ver

Para os que não acreditam no que estou a divulgar

Também tenho uma palavra amiga

Que estejam atentos aos vossos sinais da vida

 

Nada do que estou a escrever nestas minhas divulgações

São inventadas nem contadas por terceiros

Tudo isto tem se passado comigo ao longo dos meus anos já vividos

Eu também estou confuso, não só mais do que os outros

Estarei mais alerta

Pois já tive alucinações

Que parecem que são reais

 

Um dia fui ver a campa da minha mãe ao cemitério

Junto à campa estava uma sra que me disse bom dia

Quando me aproximei olhei para todo o lado

E simplesmente a sra desapareceu

 

Passei algum tempo a pensar

Se o que eu tinha visto era realmente real

Ou seria mais uma alucinação

Mas quando sai do cemitério vi a sra de costas

Uns 50 metros a frente e fui a correr atras dela

Quando estava a chegar perto simplesmente desapareceu e nunca mais a vi

 

Luís Pragana

26-04-2010

publicado por Lausinho às 18:59
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