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Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Crimes contra o património

 

CRIMES CONTRA O PATRIMÓNIO
A CALÇADA ROMANA
 
A nossa querida cidade
Continua a ser descaracterizada
Vai perdendo pontos de referência
E a geração a que pertenço está a ficar desenquadrada
 
O mal vem de quem tem governado a cidade
Pois esta lá para ganhar o ordenado
Se tivessem vivências de infância
O património da cidade não estaria tão danificado
 
A cidade tudo vai perdendo
Está a ficar a leste da história
Deixando delapidar o património
Algum só já resta em memória
 
Poucos hoje se recordarão da calçada romana da Senhora dos Remédios
Estava bem conservada
Estendia-se por uma vasta extensão
Hoje dessa calçada já não resta nada
 
Deixaram lá meia dúzia de pedras
Que a quem nasceu na cidade não dizem nada
Podiam ter ao menos posto uma placa de informação
Dizendo que da calçada romana era o que restava
 
Recordo com saudade essa calçada romana
Porque sou um dos que ainda lá brincaram
Sentíamos ainda o espírito
Dos romanos e outros povos que por ali passaram
 
Luís Pragana
18-02-2009
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
publicado por Lausinho às 11:38
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A ÁRVORE

 

A ÁRVORE
JUNTO DA CERCA DO SANATÓRIO
 
Agora até com uma arvore centenária
Que já era uma referencia na cidade
Ceifaram-lhe a vida sem piedade
Foi um crime sem clemência
 
Enquanto nos outros lados preservam
Na Guarda deita-se abaixo
A árvore de certeza desviou-se bateu em algum ser iluminado
Que ficou irritado
 
Incomodava de certeza alguém
Que na cidade não nasceu
Porque se tivesse brincado por ali
Estava tão indignado como eu
 
Foi mais um crime contra o património da cidade
Esta árvore era de certeza centenária
Se olharmos as fotos antigas
Já naquele tempo ocupava uma grande área
 
Brincávamos ao seu redor
Passava-se pelos dois lados
Para saltarmos a cerca
Era por ali que entravamos
 
Naquele tempo sanatório tinha uma vegetação variada
Havia muitos castanheiros
Como não podíamos passar o portão para ir às castanhas
Era por ali que entravamos éramos sempre os primeiros
 
Quando o muro fizeram
Esta arvore já lá se encontrava
Fizeram o muro ao seu redor
Gerações foram passando e a árvore não incomodava
 
Luís Pragana
18-02-2009
 
publicado por Lausinho às 11:37
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Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Crónica de um analfabeto

 

CRÓNICA DE UM ANALFABETO
 
Sou um cidadão como milhares
Que vive neste país
Não passarei de um analfabeto
Mas vejo que o país está como se diz
 
Na minha simples opinião
Sei que há muita gente iluminada
Só que andam com as lâmpadas fundidas
Porque a iluminação está deteriorada
 
Como foi possível este retrocesso
O nosso povo vive numa miséria pegada
Ninguém jamais pensou ser alcançado
O país empobreceu e a pobreza está enraizada
 
Afinal o que falhou?
Como foi possível chegarmos aqui
Há milhares de portugueses sem futuro
E outros milhares vêm aí
 
Mas eu sou analfabeto
 
Tantas ilusões e frustrações
Sonhos não concretizados
Com tanto tempo perdido
Somos um país de falhados
 
Portugal anda sem rumo
Tem que encontrar um astrolábio
Porque tem andado às voltas e neste oceano europeu
Para navegar tem de ser um sábio
 
Faz falta um visionário
Que nos ajude a ver o futuro
Os ventos sopram fortes
O pais precisa de um líder maduro
 
Mas terá que sacudir
Estes seres iluminados
Que empurraram o pais para o caos
E a democracia têm ridicularizado
 
Mas eu sou analfabeto
 
Num ano de previsões
Já que toda a gente as faz
Porque não um cidadão comum
Já que os iluminados não acertam e não são capaz
 
Depois de três anos a apertar o cinto
Já não há buraco para segurar
Vão mandar para o desemprego
Muitos que não pensaram mandar
 
O governo que nos prometeu mundos e fundos
Acabou com o que restava
Afinal o sacrifício foi em vão
Sabiam que da recessão não se safava
 
É por isso que com tristeza
O que vou dizer nesta crónica
O país não esperava dez por cento de desemprego
Numa queda acentuada
 
Mas eu sou analfabeto
 
Só quem está fora da realidade
Ou tenha falta de visão
Se pode regular pelos números
Que os nossos governantes anunciam na televisão
 
O governo está muito a leste
Nunca deu conta que as pequenas empresas seguravam a economia deste pais
Com o saque que as finanças fizeram a estas empresas
O pai está hoje como se diz
 
Não pondo em causa as dívidas
Pois quem deve terá que pagar
Só que as empresas assim fecham já não recebem
E com mais desemprego terão que levar
 
Os nossos deputados deviam acompanhar mais
O quotidiano do cidadão
Porque andam muito mal informados
Se viessem para o terreno
Teriam melhor resultado
 
Mas eu sou analfabeto
 
Como é que o senhor engenheiro
Pensa que as empresas ao empréstimo podem recorrer
Se já estão com dividas ao estado
Ficam logo excluídas de ao crédito concorrer
 
Quem trabalha desde muito cedo
E para a olhar para trás a pensar
Chegará à conclusão
Que passou a vida a sonhar
 
As reformas são miseráveis
Só os doutores políticos e administradores se safa
Porque quem quis fazer alguma coisa da vida
Na velhice andará sempre à rasca
 
É tão grande a desilusão
Que me atrevo a dizer
Que o pais fez um retrocesso
Que nunca pensamos voltar a viver
 
Mas eu sou analfabeto
 
Cada vez são mais os miseráveis
Agora a classe media empobreceu
Temos miseráveis mais cultos
Que o pais nada engrandeceu
 
Mas como eu sou analfabeto
Não me vão levar a serio
O que eu escrevo será irreal
Que este pais é um mistério
 
Só gostava que houvesse um governo
Que tivesse a coragem
De congelar com as reformas milionárias
Para as reformas mais baixas terem outra margem
 
É uma vergonha nacional
As reformas que dão a quem, toda a vida trabalhou
Depois até na velhice
Temos que nos baixar a esta gente que sempre nos chulou
 
Mas eu sou analfabeto
Pobre pais onde se concentram milhares de ilusionistas
Que conseguem fazer desaparecer
Milhões de euros sem dar nas vistas
 
Só que os artistas nesta área
É tudo gente fina já credenciada
São guardadores de um segredo milenar
De uma arte que jamais será divulgada
 
Se não fossem estes malabaristas
O país não estaria como está
Assim jamais sairá de penúria
Enquanto estes gatunos andarem, por cá
 
Mas eu sou analfabeto
 
 
Luís Pragana
 Fevereiro 2009
 
 
 
 
 
publicado por Lausinho às 15:12
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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Casos do pais envoltos em neblina

 

CASOS DO PAIS ENVOLTOS EM NEBLINA
 
Os freeports destes governos
Que vão denegrindo a imagem do país
Perdem-se na neblina
Por isso é que a justiça está como se diz
 
Quem lembra o Portucale
Recordam se alguém foi julgado?
Caso que muita gente do anterior governo envolveu?
Não, por culpa do nevoeiro o caso foi arquivado
 
É pena os nossos políticos sofrerem de amnésia
Pois é raro encontrar algum que não tenha telhados de vidro
Se os tivessem feito pagar na justiça
Talvez muitos casos não tivessem existido
 
O caso Siresp
Onde o senhor Oliveira também entrou
No tempo do governo Santana Lopes
E também este a neblina apanhou
 
Estes senhores que fazem negociatas
E que estão todos inocentes
São todos culpados do que se passa no país
Por isso os portugueses estão descrentes
 
Mas o que é mais engraçado
É que nunca estes rapazes são julgados
A culpa é sempre da neblina
Que nestes casos tem rondado
 
Luís Pragana
02-02-2009
publicado por Lausinho às 14:51
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Basta de Freeport

 

BASTA DE FREEPORT
 
Lêem todos pela mesma cartilha
Num repente o país bloqueou
Com tantos problemas graves
Uma semana passou e só o freeport importou
 
Então e os problemas do país?
Já s não fala da recessão
O desemprego passou a segundo plano
Porque levamos com o freeport todo dia na televisão
 
Basta, já não há paciência o país é mais que o freeport
Os medias e a imprensa escrita que deixem o povo respirar
Já temos problemas que cheguem
Passem o freeport para segundo lugar
 
Já passamos pela caça ao canudo
Que deu cabo da cabeça ao senhor engenheiro
Agora mais uma vez o freeport
Tenham paciência mas os nossos problemas estão primeiro
 
Este país de lavadeiras
Deviam-se preocupar em arranjar
Sabão para tirar as nódoas
E de coisas importantes ao povo falar
 
Onde estão os sabichões deste país?
Que têm solução para tudo e não fazem nada
Se olhassem para como deixaram o país
Tinham com que se preocupar e já bastava
 
Falam hoje do freeport
Como caso único em Portugal
Esta gente tem a memoria curta
Fazem do esquecimento um caso natural
 
Luís Pragana
02-02-2009
 
publicado por Lausinho às 14:50
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